Às vezes penso em ti.

Às vezes, durante o dia, consigo jurar ver-te do outro lado da rua. Estás sempre com o teu ar de boneca frágil, com o cabelo a dançar ao vento e a tapar-te a cara. E tu sorris e afasta-lo, com o movimento mais simples de sempre, tão característico teu, assim como a tua palidez de porcelana que me obrigava a fixar os olhos em todos os traços do teu rosto, dos teus ombros, das tuas mãos. Tu não notas, mas o mundo pára para te deixar passar. Ou é de mim.
Às vezes, no meio da confusão, ouço a tua voz e tremo. Quero olhar para trás, mas, como o resto do mundo, parei. A tua voz força aquela dor familiar dentro de mim até o meu peito estalar.
Às vezes obrigo-me a parar, a observar o que passa à minha volta, e sinto o teu calor. Torno-me num universo meu e teu, repleto de memórias e detalhes que não interessam a mais ninguém a não ser a esta estúpida incurável.
Às vezes estás em todo o lado. Estás nos olhos da pessoa que beijo, estás na minha cama, estás em mim, no meu coração, no meu corpo.

Às vezes penso em ti. Como hoje. Mas só às vezes.

1 comentário:

Joana M. disse...

uau :o


dps sou eu! u.u