Estou tão apaixonada por ti, quis eu dizer. Não era para te mandar à merda. Mas é que, sabes, as letras do teclado estão todas umas a beira das outras.

Às vezes penso em ti.

Às vezes, durante o dia, consigo jurar ver-te do outro lado da rua. Estás sempre com o teu ar de boneca frágil, com o cabelo a dançar ao vento e a tapar-te a cara. E tu sorris e afasta-lo, com o movimento mais simples de sempre, tão característico teu, assim como a tua palidez de porcelana que me obrigava a fixar os olhos em todos os traços do teu rosto, dos teus ombros, das tuas mãos. Tu não notas, mas o mundo pára para te deixar passar. Ou é de mim.
Às vezes, no meio da confusão, ouço a tua voz e tremo. Quero olhar para trás, mas, como o resto do mundo, parei. A tua voz força aquela dor familiar dentro de mim até o meu peito estalar.
Às vezes obrigo-me a parar, a observar o que passa à minha volta, e sinto o teu calor. Torno-me num universo meu e teu, repleto de memórias e detalhes que não interessam a mais ninguém a não ser a esta estúpida incurável.
Às vezes estás em todo o lado. Estás nos olhos da pessoa que beijo, estás na minha cama, estás em mim, no meu coração, no meu corpo.

Às vezes penso em ti. Como hoje. Mas só às vezes.

18.7.2007

Perdi-te, aqui no peito cheio de qualquer coisa que há muito me deste.
Deixei-te queimar no fogo que ardia dentro de mim.
Agora só cinzas lá dormem, cansadas de ti e de mim. Só cinzas cansadas de corpos que ardem, enrolados e perdidos um no outro, que queimam o que foi e o que virá a ser. Que se amam com clichès de toda uma história já contada, vivida por outra pessoa, noutro tempo, noutro mundo.

Quero só arrancar as nossas cinzas de dentro de mim, limpar o lixo. Ficar vazia, para que num outro tempo, distante ou próximo, por breves momentos, outro fogo arda dentro de mim, me enxa de novo com aquilo que outrora te queimou.


(Da altura em que eu até escrevia mais ou menos.)

Viver a vida por viver não é viver.

6.30: Acordar.
7.00: Pequeno almoço e esperar até...
7.30: Sair de casa.
8.00: Esperar.
8.30: Aulas até...
12.25: Almoçar.
13.50: Aulas até...
18.00: Apanhar o autocarro.
18.30: Pousar a mochila e ligar o computador.
20.00: Jantar.
22.00: Dormir.

Repetir quantas vezes for necessário.
Isto não é vida.

Vê se acordas, Inês.

<3

Heute treff' ich einen Herrn
Der hat mich zum Fressen gern
Weiche Teile und auch harte
stehen auf der Speisekarte



Pft.

Nas últimas decadas a depressão parece ser desculpa para tudo.
Não se arranja trabalho, deprime-se.
Os filhos não são como se espera, deprime-se.
A vida não corre como queremos, deprime-se.
Dói a ponta do dedo mindinho, deprime-se.

Parece motivo para orgulho.
"Olha, ando a tomar isto e aquilo, mais isto. E olha, senti isto e aquilo e foi horrível. Já viste, que fixe? Não sou fixe, eu, com a doença da moda?"
/sarcasmo

É ridículo.
Acordem para vida.

Are you the doctor?




Stfu.

Esta gente irrita-me. Tanto barulho, sheesh.
Ora é a milhares de kms de distância, ora é no apartamento ao lado.
Ou são bombardeamentos no Iraque ou é a a vizinha a gritar com os filhos ou com o marido ou com o cão ou com o piriquito.

Gente chata. Chata. Não sabem estar calados um bocadinho. Assim 5 minutos, mudavam o mundo. Ou então faziam com que esta dor de cabeça passasse.
Either way, it's fine by me.

out, out.

Adoro. Mesmo. Adoro isto, é tudo fantástico.

Menos tu aí, no canto da sala.
Tu incomodas-me.

Sai.

Já.

título.

Realmente naquele momento tudo fez sentido.
A falta de tacto entre nós os dois é uma coisa que sempre me fascinou. Era aos tiros um ao outro, a ver quem fere mais o outro.
Mas naquele momento, aquele momento, tudo o que tentei com tanto esforço esconder, saiu disparado da minha cabeça. Muito obrigada pelo carinho que me obrigaste a receber.

Queria tanto, mas tanto gostar de ti. Ser normal, nem que por uns dias. Mas não consigo. Não temos tacto, não temos nada.

Temos tiros. Mas não temos tacto.

life

A vida não é como uma série de televisão. A vida continua quando passam os créditos depois dos momentos minimamente importantes para a personagem principal da nossa vida. Nunca pára, continua com novas aventuras (ou a falta delas), e as pessoas nunca sabem onde acabou o ultimo episódio.

É complicado.

hoorah.

Da proxima vez que alguém esbarrar contra mim no autocarro e pedir desculpa vou tentar saber tudo sobre ela, dizer-lhe que tudo é belo e que aquela viagem é uma celebração da vida.

Tenho vergonha de mim.

Um dia, quando não estava a espera, vi-me. Vi-me quando passei por uma rua sem nome que percorro todos os dias.
Olhei para o outro lado e lá estava eu. Camisola colada ao peito, peito colado as costas, costas coladas a parede.
Parecia esgotada, não tinha nada. Perdi tudo e só consegui correr. Perdi a terra e o céu. Perdi a alma.
Quis atravessar a rua, mas no momento em que o tento, desato a correr. Fujo de mim.
E só consegui ver-me fugir de mim.
Só fiquei ali, a ver-me fugir de mim.
Sempre a fugir de mim.
Sem parar.
A fugir de mim.