nada mais o amor te deve.
Tenho contas a acertar comigo.
Por não ter gostado de mim o suficiente, por não ter dado importância a pequenas coisas, por não fazer um esforço para me levantar da cama, por ter deixado que abusassem de mim, que me magoassem, que me fizessem coisas que quero esquecer.
Não cantei vezes suficientes a felicidade que me ia no peito. Nunca aprendi a lidar com ela e nunca me forcei a aprender. Felicidade era insegurança, felicidade fugia e eu podia deixar-me ficar sem a aproveitar, sem a gastar, guardar para mais tarde, quando valesse a pena estar feliz.
Tenho contas a acertar e pouco tempo. Mas são coisas que têm de ser feitas.
Agora não vai ser diferente. TEM de ser diferente.
Por não ter gostado de mim o suficiente, por não ter dado importância a pequenas coisas, por não fazer um esforço para me levantar da cama, por ter deixado que abusassem de mim, que me magoassem, que me fizessem coisas que quero esquecer.
Não cantei vezes suficientes a felicidade que me ia no peito. Nunca aprendi a lidar com ela e nunca me forcei a aprender. Felicidade era insegurança, felicidade fugia e eu podia deixar-me ficar sem a aproveitar, sem a gastar, guardar para mais tarde, quando valesse a pena estar feliz.
Tenho contas a acertar e pouco tempo. Mas são coisas que têm de ser feitas.
Agora não vai ser diferente. TEM de ser diferente.
this raging light.
Deixei tudo para trás, hoje. Trouxe apenas a roupa que tenho no corpo e meti-me no carro. A velocidade aumenta e transforma as luzes em fragmentos que dançam no canto do olho, livres, felizes e inocentes. Elas não sabem o que aconteceu, não sabem de nada.
"Como foi o teu dia?"
Não, isto é só a minha imaginação. Tu não estás aqui. Se fosse real, perguntavas isso da mesma forma automática, pré-programa, entediada de sempre, sorrindo tristemente com medo que eu respondesse a queixar-me, da vida, do trabalho, a inundar-te a mente com coisas que não precisas de saber. Como pode o meu cérebro atrever-se a fazer-me isto, a cravar-te em mim desta maneira. Nem ele mesmo sabe o que aconteceu, não sabe nada.
Não, isto é só uma ilusão. O teu cabelo esvoaça, quase tocando no meu rosto, e a tua voz, o teu riso, é mais alta que o rádio, que o barulho causado pelo vento. O teu cabelo cobre-te a cara e tu ris mais e mais, mas tu não estás aqui, não estás aí sentada a tentar falar comigo como há muitos anos atrás. Se eu soubesse, se eu apenas soubesse, eu tinha esticado o braço, afastado o teu cabelo e sentido a tua pele. Mas eu não sabia, não sabia nada.
O meu carro sabe o caminho de cor, não sou eu a controla-lo, eu não sei o que estou a fazer. Tenho os olhos, os ouvidos, cheios com aquele momento repetitivo. O teu olhar, o teu cabelo, os teus gestos, o teu riso a esconder tudo o que eu não sabia e nunca quis saber, perdido nas minhas próprias guerras. Quase consigo abraçar aquele momento, aquele momento em que eu não sabia nada.
A velocidade aumenta freneticamente e o ponteiro dança com a minha sorte, com as luzes de outros carros e buzinas perdidas no ar, de condutores que não sabem o que se passa, que não sabem nada.
Na verdade, hoje atrasei-me para chegar a casa. Prenderam-me no trabalho com montanhas de papelada que não serve para nada a não ser ocupar o tempo de quem a preenche. Burocracias. Eu pensei que não te importarias, não era algo fora do normal.
Mas nunca, nunca pensei, que ao chegar teria o teu corpo moribundo à minha espera.
Tu como um pedaço de carne, sem mais nada a não ser carne e sangue e a corda ao teu pescoço. Tudo isso selado com um sorriso.
Se eu apenas soubesse. Mas eu não sabia, não sabia nada.
"Foi bom."
"Ainda bem, querido."
Eu não sabia nada.
"Como foi o teu dia?"
Não, isto é só a minha imaginação. Tu não estás aqui. Se fosse real, perguntavas isso da mesma forma automática, pré-programa, entediada de sempre, sorrindo tristemente com medo que eu respondesse a queixar-me, da vida, do trabalho, a inundar-te a mente com coisas que não precisas de saber. Como pode o meu cérebro atrever-se a fazer-me isto, a cravar-te em mim desta maneira. Nem ele mesmo sabe o que aconteceu, não sabe nada.
Não, isto é só uma ilusão. O teu cabelo esvoaça, quase tocando no meu rosto, e a tua voz, o teu riso, é mais alta que o rádio, que o barulho causado pelo vento. O teu cabelo cobre-te a cara e tu ris mais e mais, mas tu não estás aqui, não estás aí sentada a tentar falar comigo como há muitos anos atrás. Se eu soubesse, se eu apenas soubesse, eu tinha esticado o braço, afastado o teu cabelo e sentido a tua pele. Mas eu não sabia, não sabia nada.
O meu carro sabe o caminho de cor, não sou eu a controla-lo, eu não sei o que estou a fazer. Tenho os olhos, os ouvidos, cheios com aquele momento repetitivo. O teu olhar, o teu cabelo, os teus gestos, o teu riso a esconder tudo o que eu não sabia e nunca quis saber, perdido nas minhas próprias guerras. Quase consigo abraçar aquele momento, aquele momento em que eu não sabia nada.
A velocidade aumenta freneticamente e o ponteiro dança com a minha sorte, com as luzes de outros carros e buzinas perdidas no ar, de condutores que não sabem o que se passa, que não sabem nada.
Na verdade, hoje atrasei-me para chegar a casa. Prenderam-me no trabalho com montanhas de papelada que não serve para nada a não ser ocupar o tempo de quem a preenche. Burocracias. Eu pensei que não te importarias, não era algo fora do normal.
Mas nunca, nunca pensei, que ao chegar teria o teu corpo moribundo à minha espera.
Tu como um pedaço de carne, sem mais nada a não ser carne e sangue e a corda ao teu pescoço. Tudo isso selado com um sorriso.
Se eu apenas soubesse. Mas eu não sabia, não sabia nada.
"Foi bom."
"Ainda bem, querido."
Eu não sabia nada.
canção da lua.
mãe
eu já não sou quem era
agora tenho a minha guerra
a minha luta privada
ainda oiço a canção da lua
só já não me afasta do nada
mãe
a vida é esta merda
dela só o cheiro se herda
trocamos sonhos por qualquer porcaria
canta de novo a canção da lua
enquanto não chega o dia
Foge Foge Bandido
eu já não sou quem era
agora tenho a minha guerra
a minha luta privada
ainda oiço a canção da lua
só já não me afasta do nada
mãe
a vida é esta merda
dela só o cheiro se herda
trocamos sonhos por qualquer porcaria
canta de novo a canção da lua
enquanto não chega o dia
Foge Foge Bandido
Inês?
Não sei, não me perguntes porque não sei. Não me doi nada, não penses isso. Não há ninguém a magoar-me, não está nada a preocupar-me. Não sei. Não sei porque não sei. Estas coisas nunca se esperam, por isso para de me perguntar. Para de me tocar, não preciso de abraços. Para de tentar, para de falar, já te disse que não sei. Não preciso da tua ajuda, não preciso de ti. Não sei. Não sei porquê, não sei onde, não sei quando. Não sei e não sei porque não sei.
Quando souber, a gente combina qualquer coisa e eu respondo-te.
Quando souber, a gente combina qualquer coisa e eu respondo-te.
Subscrever:
Mensagens (Atom)