Memorial do Convento.

"Saíram ambos, Blimunda acompanhou Baltasar até fora da vila, viam-se ao longe as torres da igreja, brancas sobre o céu encoberto, ninguém o esperaria, depois da clara noite que foi. Abraçaram-se os dois no recato duma árvore de ramos baixos, entre as folhas douradas do Outono, pisando outras que já se confundiam com a terra, alimentando-a, para reverdeceram de novo. Não é Oriana em seu traje de corte que se está despedindo de Amadis, nem Romeu que, descendo, colhe o debruçado beijo de Julieta, é somente Baltasar que vai ao Monte Junto remediar os estragos do tempo, não é mais que Blimunda impossivelmente tentando que o tempo pare. Com as suas vestes escuras, são duas sombras inquietas, mal se separam, logo se aproximam, não sei que adivinham estes, que outros casos se preparam, porventura tudo será obra da imaginação, fruto da hora e do lugar, de sabermos que o bem não dura muito, não demos por ele quando veio, não o vimos quando esteve, damos-lhe pela falta quando partiu, Não tardes por lá, Baltasar, Dorme tu na barraca, posso chegar já de noite, mas, se houver muito que consertar, só venho amanhã, Bem sei, Adeus Blimunda, Adeus Baltasar."


Tu não tens culpa de tudo o que te aconteceu, outras pessoas também são de apontar o dedo. Podes dizer o que quiseres que eu vou dizer que compreendo, ou esperar que me expliques, porque apesar das tuas crises existenciais serem (quase na sua totalidade) absurdas, há sempre um momento em que até tens razão. Deixa-me só entrar no teu mundo e ver por que regras te reges.
Já não precisas de sofrer por essas coisas, já tudo passou e tu estás aqui.
Há coisas que não se evitam. Eu sei, há coisas que tu não controlas. Não, não te vou ignorar. Não, não me vou esquecer de ti. Vou levar-te comigo para onde quer que vá, e desta vez é a sério. Não vou estar sempre a pensar em ti, mas não te vou deixar cair no esquecimento. Tu importas. Tu és importante para mim. Tu vais ser alguém.

Chora a mágoa que tens. Chora o peso da vida. Chora, que eu choro contigo.