Perdi-te, aqui no peito cheio de qualquer coisa que há muito me deste.
Deixei-te queimar no fogo que ardia dentro de mim.
Agora só cinzas lá dormem, cansadas de ti e de mim. Só cinzas cansadas de corpos que ardem, enrolados e perdidos um no outro, que queimam o que foi e o que virá a ser. Que se amam com clichès de toda uma história já contada, vivida por outra pessoa, noutro tempo, noutro mundo.
Quero só arrancar as nossas cinzas de dentro de mim, limpar o lixo. Ficar vazia, para que num outro tempo, distante ou próximo, por breves momentos, outro fogo arda dentro de mim, me enxa de novo com aquilo que outrora te queimou.
(Da altura em que eu até escrevia mais ou menos.)
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