Às vezes penso em ti.
Às vezes, durante o dia, consigo jurar ver-te do outro lado da rua. Estás sempre com o teu ar de boneca frágil, com o cabelo a dançar ao vento e a tapar-te a cara. E tu sorris e afasta-lo, com o movimento mais simples de sempre, tão característico teu, assim como a tua palidez de porcelana que me obrigava a fixar os olhos em todos os traços do teu rosto, dos teus ombros, das tuas mãos. Tu não notas, mas o mundo pára para te deixar passar. Ou é de mim.
Às vezes, no meio da confusão, ouço a tua voz e tremo. Quero olhar para trás, mas, como o resto do mundo, parei. A tua voz força aquela dor familiar dentro de mim até o meu peito estalar.
Às vezes obrigo-me a parar, a observar o que passa à minha volta, e sinto o teu calor. Torno-me num universo meu e teu, repleto de memórias e detalhes que não interessam a mais ninguém a não ser a esta estúpida incurável.
Às vezes estás em todo o lado. Estás nos olhos da pessoa que beijo, estás na minha cama, estás em mim, no meu coração, no meu corpo.
Às vezes penso em ti. Como hoje. Mas só às vezes.
Às vezes, no meio da confusão, ouço a tua voz e tremo. Quero olhar para trás, mas, como o resto do mundo, parei. A tua voz força aquela dor familiar dentro de mim até o meu peito estalar.
Às vezes obrigo-me a parar, a observar o que passa à minha volta, e sinto o teu calor. Torno-me num universo meu e teu, repleto de memórias e detalhes que não interessam a mais ninguém a não ser a esta estúpida incurável.
Às vezes estás em todo o lado. Estás nos olhos da pessoa que beijo, estás na minha cama, estás em mim, no meu coração, no meu corpo.
Às vezes penso em ti. Como hoje. Mas só às vezes.
18.7.2007
Perdi-te, aqui no peito cheio de qualquer coisa que há muito me deste.
Deixei-te queimar no fogo que ardia dentro de mim.
Agora só cinzas lá dormem, cansadas de ti e de mim. Só cinzas cansadas de corpos que ardem, enrolados e perdidos um no outro, que queimam o que foi e o que virá a ser. Que se amam com clichès de toda uma história já contada, vivida por outra pessoa, noutro tempo, noutro mundo.
Quero só arrancar as nossas cinzas de dentro de mim, limpar o lixo. Ficar vazia, para que num outro tempo, distante ou próximo, por breves momentos, outro fogo arda dentro de mim, me enxa de novo com aquilo que outrora te queimou.
(Da altura em que eu até escrevia mais ou menos.)
Deixei-te queimar no fogo que ardia dentro de mim.
Agora só cinzas lá dormem, cansadas de ti e de mim. Só cinzas cansadas de corpos que ardem, enrolados e perdidos um no outro, que queimam o que foi e o que virá a ser. Que se amam com clichès de toda uma história já contada, vivida por outra pessoa, noutro tempo, noutro mundo.
Quero só arrancar as nossas cinzas de dentro de mim, limpar o lixo. Ficar vazia, para que num outro tempo, distante ou próximo, por breves momentos, outro fogo arda dentro de mim, me enxa de novo com aquilo que outrora te queimou.
(Da altura em que eu até escrevia mais ou menos.)
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